O QUE A BRANQUITUDE NÃO SABE OU/E FINGE NÃO SABER SOBRE O RACISMO NO BRASIL?
Pensar sobre o porquê da aceitação do
mito da democracia racial no Brasil teve tanta aceitação e divulgação é
refletir sobre o contexto histórico brasileiro que invisibilizou o racismo e
fez com que a população negra e toda sociedade brasileira passasse por um
processo de branqueamento e desvalorização da cultura negra através da negação
da história do povo negro, da identidade existencial como ser humano, da
associação à raça/etnia à precariedade social e ao status de ausência de poder.
A construção identitária de
ser negro foi ligada à condição de escravizado, carregando o significado de
subservientes como forma de retirar o direito de pertencimento a uma estrutura do
poder da sociedade. Que inclusive por força de lei e carga simbólica da
constituição de 1924, coloca a negritude em um lugar de não-lugar, do não existência enquanto sujeitos de direitos.
Enquanto o Brasil semeia o mito da democracia racial por meio de uma suposta cordialidade
entre os povos e democracia social, o que existe de fato é uma invisibilização do racismo, negando que o racismo existe, mas reafirmando o racismo nas práticas quotidianas, como
por exemplos nas oportunidades de empregos, na exclusão de oportunidade e
igualdade de direitos pela característica fenotípica da negritude, Pelo
silenciamento e apagamento da cultura africana, pelo impedimento ao acesso à
educação, pela comunicação midiática racista, por segregar espaços de
trabalhos, em especial a mulheres negras, as condicionando ao trabalho doméstico
ou qualquer outro de exploração;
Lélia Gonzalez aponta ainda a
questão da naturalização do racismo, com a ideia de miserabilidade da condição
humana do negro, à normalização da ideia de “irresponsabilidade, incapacidade intelectual, criancice”, do discurso culturalmente e planejadamente incorporado de que o preto é bandido, vagabundo, preguiçoso, por isso malandro e deve ser
perseguido pela polícia (capatazes do Estado), afinal: “Nem sempre polícia aqui respeita alguém. Em casa invade, a soco ou fala
baixo ou você sabe maldade, uma mentira deles, dez verdades” (“Um Bom Lugar”
de Sabotage - Ouça no Spotify )
Como explica Lélia Gonzalez, a ideia amplamente difundida de que
Esse mecanismo de "filtragem
racial" cria estigmas e estereótipos ao povo negro que coloca as vidas das
pessoas negras como alvo. Trata-se de uma construção social histórica, onde a
força pública em nome da segurança, segrega espaços públicos, como por
exemplo a Lei da Vadiagem. Naturaliza-se ainda o discurso da meritocracia, como
se as oportunidades fossem iguais entre brancos e negros, reforçando o racismo velado
e a prática institucional racial.
Às mulheres ainda são reservadas empregos precários, domésticos, à estigma da sexualidade da mulher negra como símbolo da objetificação sexual do corpo da mulher negra como forma de violência, desumanização e discriminação de gênero e racial.
Em “Gênero, Raça e Ascensão Social”, Sueli Carneiro explica que
Nesse atual contexto, é imprescindível a construção de feminismos, políticas públicas e formações que tenham um olhar voltado para as interseccionalidades de raça, classe, gênero. Como bem explicado pela advogada Dra. Cláudia Patrícia Luna na live sobre o tema RACISMO E LEGISLAÇÃO DO BRASIL (Click aqui), esse olhar e tratamento interssecional deve existir "para que os movimentos feministas, não partam da ideia de tratamento de uma mulher universal, até porque não há uma mulher universal, mas mulheres, negras, brancas, orientais, migrantes, lésbicas, transexuais, travestis, infinitas identidades que perpassam e resistem pelas diversas formas de opressão". E que devem ser combatidas pelos entes públicos e privados como os movimentos sociais, sociedade civil organizada (ONGS, OABs, ONU), Ministérios Públicos, Magistraturas, Secretarias Municipais, etc.), e principalmente pela urgente necessidade de restauração e implementações de políticas públicas voltadas ao enfrentamento de toda e qualquer forma de violência e discriminação racial.
Se você acha esse tema importante, apoie, compartilhe e siga o projeto nas redes sociais! Seu apoio é fundamental para que o Projeto Fala Doutora continue a descomplicar direitos democratizando o conhecimento!
🟢 SPOTIFY https://open.spotify.com/show/601exs1QWzWvZzFQu9RFiv

Comentários
Postar um comentário